(Daniel Oliveira, in Expresso, 17/05/2024)

Tratamos mal os imigrantes. Nas estufas, nas casas lotadas da Mouraria, na AIMA, interessa é quanto se pode tirar desta vaca leiteira. Dão 1,6 mil milhões de lucro à segurança social, são 10% de um país envelhecido e 13% da população empregada e estão a repovoar o território. São explorados pelas máfias, pelo patrão, pelo senhorio e pelo Estado. E, quando são espancados, a culpa ainda é deles.
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Quando o SEF não garantia dividendos políticos, ninguém, para além das associações de apoio aos imigrantes, ligava ao que lá se passava. Mas sempre houve filas, nunca houve interpretes e os imigrantes sempre foram tratados com o desrespeito que a autoridade do Estado oferece aos mais vulneráveis, que não conhecem ninguém e tudo temem. Nada disto é de hoje. Por isso, não foi apenas por causa do abuso levado ao extremo, que tirou a vida a um ucraniano, que o SEF foi extinto. Foi extinto porque, se nenhum português tem de ir a uma esquadra para tratar de papelada, nenhum imigrante tem de o fazer junto de uma força policial. Separar funções policiais, administrativas e de integração não é simbólico. É impedir que a cultura própria às forças policiais se estenda a todas as relações dos imigrantes com o Estado, fazendo de cada um deles um suspeito e da imigração uma questão de segurança.
Mas não chega tomar a decisão certa. As coisas vinham mal da pandemia e nos dois anos seguintes, numa transição preparada com os pés e feita aos bochecos, acumularam-se processos e os imigrantes ficaram no limbo da ilegalidade tácita. Além dos atrasos nos reagrupamentos familiares, essenciais para a integração, as manifestações de interesse (dependente da entrada legal como turista, contrato de trabalho e comprovativo da segurança social) para conseguir a primeira autorização de residência, que costumavam ter um período de espera entre os três a seis meses, acumularam-se até atingir dois anos. Saídos da pandemia, houve, perante a indefinição em relação ao futuro, uma espécie de “greve de zelo” do SEF.
Para limpar ficheiros ou para dar um sinal de que as coisas estavam finalmente a andar, a AIMA, que substituiu as funções administrativas do SEF, resolveu chamar de uma só vez todos os que tinha entregado a sua manifestação de interesse entre maio de 2022 e maio de 2023, entupindo os serviços e a plataforma digital. E, com a sensibilidade do burocrata, determinou o prazo de dez dias para quem esperou dois anos, pedindo, nesse prazo, 400 euros. O dinheiro não é novidade. Este processo, que pode ter resposta negativa, custa, para quem não for dos PALOP ou do Brasil, 250 euros, a que podem acrescer multas pelo tempo que estiveram ilegalmente no território, atirando o valor para 500 euros ou mais. Não percebi como se chegou aos 400 euros, mas todos conseguimos intuir que, para os conseguirem em dez dias (o prazo já foi alargado), muitos foram pedir emprestados a quem terão de pagar a dobrar.

Apesar de ser politicamente conveniente, não vale a pena ficar pela AIMA. Tratamos mal os imigrantes. Nas estufas, nas casas lotadas da Mouraria, nos serviços do Estado, a única coisa que nos interessa, enquanto comunidade, é quanto podemos tirar desta lucrativa vaca leiteira. Os imigrantes dão 1,6 mil milhões de lucro à segurança social, são 10% de um país envelhecido e 13% da população empregada, trabalham nas áreas mais exportadoras e estão a repovoar o território. São explorados pelas máfias, pelo patrão, pelo senhorio e pelo Estado. E, no fim, ainda servem de bombo da festa. Mesmo quando são vítimas de ataques violentos, acabam sempre culpados.
No Porto, um grupo de encapuçados arrombou a porta da casa de imigrantes para os espancar. Qual foi o debate? Os problemas de segurança que as “portas escancaradas” aos imigrantes nos trazem. Em Lisboa, houve uma denúncia de que um grupo de crianças do 1º ciclo terá espancado uma criança nepalesa, gritando “vai para a tua terra”. No conteúdo da habitual crueldade das crianças, elas repetiriam o que ouvem em casa, os pais repetem o que ouvem na televisão e redes e ali repete-se o que foi legitimado por eleitos. A fera está à solta e a culpa não é só de Ventura. A presidente da Junta de Arroios, que tem abusivamente dificultado a obtenção de atestado de residência indispensável para a integração dos imigrantes, na freguesia mais cosmopolita do país, escolheu dizer, sobre estes episódios, que a imigração tinha um impacto negativo e causava uma sensação de insegurança nas populações. Antes do Ministério da Educação e outras instituições terem levantado dúvidas sobre o rigor de uma história que teve uma associação social da Igreja como fonte e parece, afinal, mal contada, a culpa já era das alegadas vítimas.
Não tem de haver tabus no debate sobre a imigração. Ela sempre trouxe conflitos e tensões. Que o mau funcionamento do Estado e o populismo de oportunistas agudizam. Mas se Portugal tem um problema com a imigração ele é a insegurança dos imigrantes. É a sua exposição à exploração, ao abuso e à violência. E isso não se resolve fechando as portas, para que entrem ilegalmente pela janela, ainda mais desprotegidos. Resolve-se legalizando, integrando e defendendo os direitos dos que mais produzem neste país. E tendo a coragem de recordar aos que, lucrando com o seu trabalho, os querem longe da vista, que ninguém imigra para países pobres.
A imigração é uma boa notícia. Quem a recusa está a recusar a riqueza económica, social, cultural e política que a diversidade nos oferece. Deseja-nos orgulhosamente sós, puramente brancos e saudosamente decadentes.
Concordo
Ah ah ah ah ah ah !
Nem uma voz discordante? Nem um pio?
Também não é tanto assim, houve uma voz falou bem. Como não sou Judas, não lhe dou um beijo, não quero queimar o Homem, por receber um elogio de um Dessidente.
O ultimo estudo do Dr. Eugénio Rosa demonstra bem o que são para a segurança social
os famosos “lucros”, dos descontos dos imigrantes, é só ler.
Se uma pessoa bater à minha porta com fome e tiver dois pães, ofereço-lhe um.
Mas se em vez de uma, forem 50, independentemente das injustas causas que por detrás dessa fome possam estar, que mais posso fazer, para além de me juntar à denúncia e combate contra tais causas? Reparto com as 50 os dois pães, que, contudo, não chegarão para a fome lhes matar, passando a minha, ainda, a juntar-se à fome delas? Não se reconhece que «excesso de mão de obra» leva os «patrões a pagarem uma miséria»? Que fazer, então, face, a esse excesso de mão de obra? Gritar para virem mais uns quantos para a «praça do desemprego»? Quando grevistas que lutam por melhores salários fazem uma greve, para além do patrão explorador, não acresce a ele um novo «problema», se «fura-greves», entretanto, surgirem, ainda que gente com fome, ofrecendo-se para trabalhar por pouco que seja? Anti-xenófobo, não tenho, contudo, resposta para muitas questões que me assaltam, limitando-me a expô-las, na expetativa de encontrar respostas para elas!
André Campos e Whale disseram tudo o que demais importante haveria a dizer sobre este tema. Agradeço a ambos! Não vale a pena Daniel Oliveira vir tentar desviar a atenção dos verdadeiros problemas de Portugal com estas ideias que só ajudam a escravizar mais estas pobres pessoas que emigram. Deixem de lhe destruir os seus países de origem com as doutrinas neoliberais que o patrão do Daniel (Balsemão) defende com unhas e dentes e talvez eles não precisem de emigrar! Em Portugal, deixem de destruir o Estado, privatizar tudo e escravizar os próprios portugueses com condições e salários miseráveis! Daniel Oliveira, por favor, deixe de fingir que serve os interesses dos emigrantes quando na verdade serve os interesses dos patrões que os exploram. Ai, coitadinhos dão tanto dinheiro à Segurança Social, diz ele…pois, mas à custa de serem ESCRAVOS!! E de com o excesso de mão de obra, os patrões pagarem uma miséria aos emigrantes e também aos portugueses que não podem (e não deveriam) fugir do seu próprio país!
Bom comentário.
No tempo em que ninguém pára cá queria vir não havia no Alentejo imigrantes mas havia migrantes. Os chamados “ratinhos” que iam das Beiras trabalhar na altura das ceifas. E, tal como os imigrantes de hoje, aceitavam trabalhar por menos ainda, viver as vezes até ao relento e comer para ali uma côdea de pão.
Ontem como hoje, muita gente culpava os “ratinhos” e não os agrários que tudo faziam para pagar o menos possível a quem trabalhava.
Os agrários exploradores que tinham na policia rural que era a GNR os jaguncos perfeitos para pôr em sentido quem protestava. É se para por o gado em sentido era preciso matar em plena rua uma mãe de quatro filhos matavasse.
O que não consta é que nenhum “ratinho” tenha sido morto a tiro ou hostilizado por jaguncos fardados. Como acontece hoje aos imigrantes.
Afinal eles davam jeito a quem não queria pagar e sempre podiam dizer aos trabalhadores, “ou comem ou para além de vos podermos denunciar a PIDE como comunistas ainda mandamos vir mais ratinhos”.
Os alentejanos que hoje votam na extrema direita porque acham que a culpa é dos imigrantes e não dos exploradores teem a mesma mentalidade dos que deitavam culpas ao “ratinhos”.
E os agrarios de hoje, alguns dos quais nem portugueses são, teem a mesma mentalidade de outros tempos.
E quem hoje vota no quarto pastorinho esquecesse que nesse tempo era era a extrema direita que mandava.
Nós anos 60 começou o êxodo alentejano. Criaram favelas na periferia de Lisboa onde esgotos corriam a céu aberto. A censura não deixou que fossem vistas mas foram alvo de documentários ingleses.
Porque é que se sujeitavam a isso e a continuar a ser explorados nas fábricas e construção civil? Porque se voltassem os PIDE e os jaguncos haviam de lhes querer boas contas.
E nesse tempo era a extrema direita que mandava. A extrema direita de hoje está cheia de saudosistas desse tempo.
Por isso tratem de ter cuidado com o que desejam.
E essa do capitalismo tirar gente da miseria deve ter sido gerada não sei bem onde.
O capitalismo só funciona sem causar grandes danos se houver regras. Porque a natureza humana é igual em todo o lado e a mentalidade do agrário alentejano dos anos 60 que queria ter casa luxuosa, bom carro, idas a casinos e prostibulos na capital, restaurantes e hotéis de alto luxo apenas com o que a terra dava e igual ou pior em todo o lado.
O capitalismo selvagem dos anos Yeltsin causou três milhões de mortes pela fome e pelo frio na Rússia. Foram sem dúvida tirados da pobreza. Países como a Romenia perderam 25% da população desde 1990, foram sem dúvida tirados da pobreza.
O capitalismo sem regras gera sim, milhões de pobres. Que vão tentar emigrar seja para onde for.
Muitas vezes, justamente pelas tácticas de ódio e divisão da extrema direita, as pessoas vêem se também as voltas com a insegurança gerada por forcas policiais e milícias que matam. Nao é só com a pobreza que teem de contar.
Não foi só com a pobreza que os brasileiros “pardos” tiveram que contar nos anos Bolsonaro. Pelo que a muitos so restou fazer a mala. As vezes nem isso. Uma criatura que emigrou aos 53 anos trouxe uma mochila às costas. Tudo o que o Brasil lhe deu numa vida de trabalho comecada aos 14 anos cabia numa mochila. Mas o capitalismo sem regras fez com que numa idade em que queremos é sossego emigrar fosse a solução encontrada para ela, um marido da mesma idade, um filho e uma nora. O neto já nasceu por cá.
Outros três filhos tambem trataram de fugir para outras paragens.
Por exemplo, quanta gente de orientação sexual duvidosa ja não estará a fazer as malas na Argentina depois de quatro mulheres terem sido queimadas vivas?
Para além disso, o capitalismo desregulado de “El loco” está a produzir pobres a uma velocidade assombrosa.
Tirem o cavalinho da chuva, a extrema direita não vai impedir a imigração, nunca impediu. Porque a imigração interessa aos exploradores que lhes dão dinheiro para as campanhas. E quanto mais ilegal for melhor que assim mais facilmente serão explorados.
Obama deportou mais gente que Trump e as famosas jaulas horrendas onde se enfiavam crianças já existiam no seu tempo. Simplesmente começamos a falar disso porque Trump estava pouco disposto a embarcar em aventuras contra a Rússia.
A extrema direita só lhes interessa justamente o desviar das atenções, o culpar dos imigrantes é o desviar das atenções do facto de todos estarmos a perder direitos. Nada mais que isso.
O que a extrema direita, é aí tem de se meter também a Iniciativa Liberal do Cotrim quer é um regresso aos anos 60. Ao tempo em que alem de haver tres famílias numa casa de três quartos ou menos ainda havia milhares de barracas um pouco por todo o lado e em que quem tinha a, sorte de ter uma cama e não uma enxerga só tinha dois jogos de lençóis comprados a prestações.
Quanto mais a extrema direita, o fascismo, o racismo, a, xenófobia crescerem mais deslocados haverá. Porque ficar a espera de ser morto pela fome ou por uma milicia não é opção para ninguém.
A extrema direita é parte do problema aqui e nos países de onde os emigrantes vêem, nunca a solução. E se não formos capazes de ver isso estamos tramados.
Wale,excelente,não diria melhor!
Excelente, vai para artigo!
Só acrescentar que também iam muitas trabalhadoras rurais do Algarve para o Alentejo, no tempo da outra senhora.
Há cada vez menos coesão social , e a população ainda não está verdadeiramente consciente disso, mas haverá uma mudança violenta quando uma percentagem suficiente tiver compreendido a evolução actual do sistema.
Nos anos 60 e 70, a emigração em Portugal foi encorajada porque havia empregos nos países estrangeiros que precisavam na indústria da construção etc, na recolha de lixo …. Mais tarde, as coisas mudaram para uma emigração mais qualificada…Portanto, não estou a dizer que tudo na emigração foi perfeito, há “ovelhas negras” em todo o lado!
A imigração já não é a mesma que era no final dos anos 60 e 70,quando os Portugueses fugiam ou partiam para a França. Nessa altura, os emigrantes eram trabalhadores que chegavam para trabalhar nas fábricas e na construção civil. A grande maioria destas pessoas queria simplesmente ganhar a vida para um futuro melhor . Com efeito, o principal objectivo destes trabalhadores era trabalhar e não tinham qualquer pretensão… (Isto continua a ser verdade para uma grande parte destas pessoas) Hoje em dia, desenvolveu-se uma imigração ou emigração de “conforto”, ou seja, as pessoas procuram instalar-se para ter uma vida mais fácil, porque sabem que a proteção social é elevada e que podem viver sem trabalhar, se necessário.
Muitas destas pessoas tinham muitas vezes empregos no seu país de origem que abandonaram para tentar a sua sorte, e alguns, eram mesmo privilegiados no seu país de origem. Além disso, é evidente que não são necessariamente os mais pobres que imigram, mas sim a classe média. Mesmo que imigrar para europa ou Portugal seja um sonho para muitos, coloca-lhes um problema do ponto de vista cultural, pois muitas vezes vêem Portugal e europa em geral como decadentes e desviantes, daí o surgimento do comunitarismo e a recusa de se integrarem num país que, segundo eles, é demasiado liberal na sua moral, estilo de vida, relações entre homens e mulheres, etc. É um fenómeno real que deve ser analisado.
Muitos também chegaram Portugal há alguns anos para trabalhar. Fizeram uma escolha de coração. Adotaram um país que amavam por estes valores. Como muitos outros que se sentem mais próximos desta filosofia de vida do que dos laços de sangue. Sentem-se felizes por fazer parte de uma sociedade onde se sente que se pertence,e agora com filhos na universidade e doutorados.
As cores, as peles, a cultura, a religião… continuam a ser os critérios de escolha…. No entanto, não posso deixar de me sentir preocupado, indignado, com os acontecimentos que vão contra a democracia. Este é um país com grandes valores, cujo sofrimento, com total desprezo pelos seus dirigentes e políticos, me perturba e me dilacera por dentro. Continuo a ser quem sou, fiel às escolhas que fiz quando era jovem. Pela liberdade, pelo amor à vida e por tudo o que ela representa aos meus olhos.
Quem estratifica a sociedade são as corporações e o estado, através do desnível (ou amplitude) remuneratório.
Ainda hoje vi Cotrim de Figueiredo na RTP1 com a ladaínha que o capitalismo é o sistema que mais gente tirou da pobreza, e mesmo confrontado com o número elevado de pobres em Portugal (e nos países ocidentais), continuou a dizer que são as democracias liberais europeias o exemplo a seguir.
Penso que não é preciso estudar física quântica para perceber que para se criar um rico necessariamente se vão criar dezenas ou centenas ou até milhares de pobres. Os gestores e directores (CEO, CFO, etc) têm salários exorbitantes que valem por vezes dezenas ou centenas de vezes o salário de um funcionário de base, seja no sector secundário ou terciário. No sector primário a amplitude pode ser ainda maior, basta ver os trabalhadores sazonais que são quase imigrantes amontoados em barracos e que muitos deles são explorados até ao tutano, pois já nenhum cidadão nacional pode receber o que eles recebem trabalhando de sol a sol como eles o fazem, porque se o fizesse só teria dinheiro para comer sandes mistas, viver em casa da família ou na camarata da quinta e lavar a roupa na lavandaria automática uma vez por mês, e não sobrava nada.
Quando vejo aqui bacocos a delirar com os Musks e os Bezos e outros oligarcas (sim, são oligarcas ou nos EUA, terra das livres e bravas corporações, não existem oligarcas? No Reino Unido também não? Na Alemanha, em França?), como se estes seres iluminados fossem exemplo para alguém, do tal “empreendedorismo” tão elogiado e enaltecido pelas nossas classes políticas dirigentes, que vai desbravar o mundo e fazer-nos entrar numa era dourada da economia mundial.
Só que as guerras mundiais não existem por acaso nem caem do céu, e já estamos no ponto rebuçado para que outra aconteça, servindo mais uma vez para a devoração de muitas vidas humanas, sobretudo as mais desfavorecidas, que mais não são que o combustível sacrificado na busca incessante pelas riquezas e o lucro.
Enquanto o mindset dominante for este, todos vão continuar a assobiar para o lado, políticos, classes dirigentes, elites corporativas e financeiras, e seus papagaios nos mídia, enquanto os bancos têm lucros milionários e galopantes, e a população suporta depois os custos da inflacção, da quebra de valor dos salários (ou poder de compra), e eventualmente quando houver um novo crash capitalista terá novamente de pagar os resgastes, fazendo com que o lucro seja privado, mas o prejuízo sempre público.
O Estado enquanto suporte das corporações, e não das populações, é o desígnio da direita e da extrema-direita, por muitas promessas e ilusões que os Pategas desta vida suscitem nos seus eleitores mais frágeis e empobrecidos. As pessoas servem para alimentar o sistema, e são descartáveis e substituíveis, sem valor próprio de individualidade: são quantificadas como números.
Quem não aceita isto não vai mudar nada, vai sempre alimentar a desigualdade e a exploração e a destruição social crescentes. E usar os imigrantes como bode expiatório.
*quase todos imigrantes
Nunca houve tantos gestores mestrados e doutorados, mas o que se vê na gestão? Também há cada vez mais magistrados, o que se vê na justiça, no Ministério Público, na PGR?
Não vejo, com tantos altos quadros de gestão e economistas, e contabilistas e revisores oficiais de contas, e por aí fora, com os gestores a serem pagos principescamente, as coisas a melhorar. A sociedade não está mais equilibrada, a riqueza não é melhor distribuída, os rombos económicos e financeiros não são menores (pelo contrário, cada vez são maiores, mais e mais exorbitantes) e por aí se vê o destino que este modelo de sociedade terá.
Há profissões cujo dever de zelo, a ética e a deontologia profissionais têm uma importância extrema.
As corporações existem pois são facilitadoras da exploração e acumulação de recursos humanos e físicos, de matérias primas e tecnologia, e isso favorece a constante procura e busca por mais recursos, melhor tecnologia, maior acumulação e exploração.
As corporações não libertam o homem, a individualidade humana e a sua criatividade. Pelo contrário, reduzem a condição humana (humanidade) de massas e populações cada vez mais vastas, obrigando à exploração para sobreviverem, nem sequer para poderem viver com dignidade mínima (por alguma coisa a juventude actual não tem racionalmente e sem se endividar por duas vidas capacidade para sair de casa dos pais, de viver a sua vida com independência e auto-suficiência, sem depender do parasitismo bancário, cujos lucros disparam exponencialmente todos os últimos anos, até ao rebentamento final provocado por desfalques, negociatas e camabalachos corporativos e estatistas).
São as pessoas que criam ideias, fórmulas, projectos, design, ciência, cultura, arte, técnicas, não são as corporações. As corporações usam as pessoas e tudo o que elas são capazes de criar e fazer para gerar controlo de uma minoria cada vez mais rica e açambarcadora sobre a maioria da sociedade cada vez mais empobrecida e explorada.
Esse é o projecto da extrema-direita, a exploração da força de trabalho humana em prol das corporações e suas classes dirigentes. Ou pensam que vão deixar de haver ricaços a bancar AVenturas e demagogos do género quando este conseguir ter alguma responsabilidade governativa? E que a máquina de fazer portugueses pobres (e emigrantes), e de trazer imigrantes ainda mais pobres, vai ser desmontada?
Uma coisa será o xenofobismo, a aversão a quem nacionalidade diferente possa ter e outra coisa, será saber se condições temos para acolher com dignidade os imigrantes que, fugindo de guerras e da fome, o nosso país vêm procurando e em que medida. Para virem viver em tegúrios, a serem explorados, como se bem assinala no texto, por máfias, patrões e senhorios?
Se alguém se queixa, com justeza, de que ganhando 100 a trabalhar, mal lhe dá para viver e, depois, aparece um imigrante a aceitar trabalhar por esses mesmos 100 (se não menos) não poderá isso gerar «compreensivos» conflitos, internamente, de ordem social? Como os vamos evitar?
Por exemplo, os acontecimentos trágicos que levaram à morte de uma Catarina Eufémia, não surgiram na sequência de toda uma exploração e miséria então havida nos campos alentejanos, com ceifeiras a procurarem demover outras de trabalhar, se não houvesse um justo aumento de jorna?
Nem xenofobia, nem demagogia, cremos, mas uma reflexão séria, honesta, sobre a matéria. Ou estaremos errados?
O objectivo nunca foi culpar os imigrantes,mas apenas dizer que que as entidades patronais gostam de escravos e pagar o menos possivel.
Portugal não é atractivo, os outros países é que se tornaram repulsivos.
Quem demanda Portugal é justamente porque se tiverem de fazer na terra deles o trabalho que fazem aqui não ganhariam nem para comer uma tijela de arroz por dia.
E quem emigra daqui não vai só para os trabalhos mais qualificados. Vai também para os menos qualificados.
Um trabalhador agrícola ganha aqui um terço do que pode ganhar na Alemanha. O mesmo para trabalhadores fabris, hoteleiros ou construção civil.
E não vale a pena andar a culpar esses migrantes por os salários em Portugal serem uma miséria tanto para trabalhadores qualificados como não qualificados porque no tempo em que cá mandava a extrema direita era bem pior.
Os salários eram pura e simplesmente miseraveis e nesse tempo nem o Diabo para cá queria vir. Tratasse de uma mentalidade mesquinha que sempre prevaleceu no nosso empresáriado e que nos últimos anos tem levado os grandes empresários a serem doadores da extrema direita. Porque sonham com o direito de poder precarizar e pagar menos ainda tanto a quem está como a quem chega.
Mudar esta nossa mentalidade de exploradores leva tempo e talvez seja missão impossível. Mas não é a culpar quem tem uma miseria tão negra que tem de cá vir parar que esse no se desata.
Não sou contra a imigração,pelo contrário sou a favor mas tenho outro ponto de vista!
Não esquecer o número crescente de Portugueses que emigram ou se mudam para o estrangeiro para trabalhar porque os salários oferecidos no Canadá, nos EUA e na Austrália são mais atractivos. Quantos Portugueses qualificados acham que há só no EUA? Muitas vezes são as pessoas mais qualificadas e mais trabalhadoras que emigram. Quando ouço as pessoas que me rodeiam, não há uma única família cujo filho ou filha esteja a estudar ou a trabalhar num país estrangeiro…. Gostaria de saber o custo desta emigração qualificada.
Portugal está provavelmente a perder milhares de trabalhadores por ano e, muitos se reformar-se-ão nos próximos 5 a 10 anos diz o sistema.( Pessoalmente não acredito que exista reformas nos próximos 5 a 10 anos) São muitas pessoas que só serão parcialmente substituídas por jovens.
Gostaria de acrescentar mais um ponto: Se precisássemos realmente de mão de obra, poderíamos pelo menos trazê-la em condições decentes, nomeadamente em termos de segurança. Mas não, deixamo-los nas mãos de traficantes que lhes extorquem dinheiro e os reduzem quase à escravatura. Estamos a alimentar toda uma máfia do tráfico moderno.
É mais porque precisam de mão de obra barata, mesmo que isso signifique deixá-los dormir na rua e mendigar!
É ao que ponto chegámos em Portugal, terra de dourados e iluminados, com as suas políticas de 2 bits.
Quando um país não tem capacidade para dar abrigo (actualmente, os jovens acampam ou vivem em casa dos seus pais) e comida (as doações de alimentos já não são suficientes), porquê continuar a acolher os outros, a não ser que se invoque o anjo Gabriel!
Estamos salvos, foi-nos enviado um santo, que Deus seja abençoado, amém.
E os nossos 6,5% de desempregados, não podem trabalhar?
É claro que é preciso compensar, mas as pessoas não são lâmpadas que se possam trocar 1 por 1. Os que pensam assim são os que vêem os trabalhadores como acéfalos, uma negação da competência.
Pergunto-me como é que toda esta tecnocracia, que nos olha de cima, pensa, se é que pensa de todo. Estes arciprestes do culto europeu que nos dizem o que pensar estão a organizar a nossa ruína.
Apenas temem pelos seus rendimentos. A colmeia tem de continuar a girar para lhes dar 15 000 a 30 000 euros por mês.
Assim se explica a vontade europeia de mudar de civilização, substituindo uma mais inteligente, mas mais indócil, mas mais submissa e dócil, que dará bons escravos.
De qualquer modo, se a população diminuir, haverá menos necessidade de trabalhadores porque não haverá necessidade de novas infra-estruturas (estradas, escolas, etc.), menos necessidade de construir habitações (apenas para substituir as habitações que destruímos), menos necessidade de professores, menos necessidade de fabricar automóveis, roupas, mobiliário, etc. …. a lista é interminável. Não vale a pena inventar novas necessidades, apenas pelo prazer de trazer novas pessoas.
Em vez de nos entusiasmarmos com os efeitos e tentarmos remendar uma peça de vestuário que foi completamente corroída pelas traças, seria uma boa ideia olharmos para as causas da sua deterioração. A verdadeira questão fundamental não é saber se a imigração em massa é inevitável, mas sim porque é que o despovoamento em massa em Portugal se verificou inevitavelmente e continua a verificar-se de forma exponencial.
Sem juízos de valor, é preciso dizer que o efeito perverso de uma evolução social, individualmente compreensível (é óbvio que algumas mães nos anos 20 tivesse tido a possibilidade de escolher, não teria tido 14 filhos, mas 2 ou 3, no máximo), resultou numa não renovação demográfica cataclísmica da população. E quando se trata de re-natalização e de famílias numerosas, não há volta a dar, uma vez que a pasta de dentes saiu do tubo, não se pode voltar a pô-la lá dentro.
A fase em que nos encontramos, e que continuará a acelerar-se, é, antes de mais, a de um Grande Apagão, através da desertificação demográfica de Portugal. Depois, como a natureza abomina o vazio, é bastante fácil adivinhar qual será a fase seguinte, que será apenas a consequência desse apagamento demográfico e não, ao contrário do que se ouve aqui e ali, a sua causa primeira.
Seja como for não vejo Portugal como um país atractivo para a imigração.
Sem quaisquer rodeios, subscrevo integralmente!
E convém avivar a memória, quem sabe dos que mais fizeram as suas vidas, na França, Suiça,
Alemanha e nas Américas, onde foram integrados social e profissionalmente; onde fizeram
a sua ressocialização e adquiriram maiores conhecimentos! É profundamente lamentável e injusto,
que tenham agora estes comportamentos hostis, xenófobos e rácicos!
O Senhor quarto pastorinho devia também lembrar-se que os racistas do Norte da Europa dizem o mesmo do povo português que ele diz querer defender com unhas e dentes.
Nos anos da troika era isso que se dizia de nós e tambem dos gregos.Que não trabalhávamos, que vivíamos de subsídios e as custas deles. Eu, que por ganhar cerca de um terço do que no Norte da Europa se ganha por fazer o mesmo, e por isso tinha de acumular um segundo emprego trabalhando uma média de 12 horas por dia seis dias por semana até fervia as tripas. Os bandalhos vinham as nossas terras a banhos e ainda tinham o desplante de nos insultar. E políticos do PSD, de onde ele foi parido, pareciam concordar a cem por cento com esse discurso racista e podre.
Passos Coelho até garantiu ter se encontrado com um turista finlandês, na Madeira, que lhe teria perguntado se era ele que pagaria o jantar que reunia vários políticos locais.
E tratou de dar razão ao alarve, em vez de manda lo curar a bebedeira jogando se ao mar.
Pois eis que agora o senhor Ventura trata de insultar os turcos que na Alemanha são conhecidos por fazer todos os trabalhos mais perigosos e sujos. Sendo por exemplo, quase todo o pessoal da Amazon na Alemanha por motivos óbvios. Jeff Bezos não é própriamente conhecido por respeitar a dignidade dos trabalhadores. Alguns estão envolvidos em actividades ilícitas? Não mais que os alemaes que para roubar tudo quanto podem nas empresas onde trabalham são do melhor que ja me foi dado ver.
E nada mais normal que um responsável do PSD, partido que apoiou toda a diarreia racista lançada contra nós ache normal que um seu “filho” lance uma baboseira racista contra outro povo. Ainda por cima aqueles bandalhos que nem sao cristaos e fartam se de falar mal de Israel.
Esse discurso racista tem efeitos nefastos e em Portugal no último ano há houve várias mortes. Para além de graves agressões.
Pelo que a liberdade de expresso não pode justificar tudo, muito menos numa altura em que a violência extrema contra imigrantes não para de crescer.
Os imigrantes não vêem para cá porque querem. Vêem porque nos seus países veem mais alternativas de morte do que de vida.
O nosso clima pode ser temperado e até quente para os padrões dos bêbados do Norte da Europa mas é a Alemanha para qualquer desgracado que venha de entre o Rio de Janeiro, Nordeste e Minas Gerais.
Conheço uns quantos que estão cá há anos que dizem que no primeiro Inverno só pensavam em fugir e todas as noites choravam. De saudade e de frio. Depois entranham, que remédio, sendo os melhores clientes de todos quantos vendem roupas térmicas. O que essa gente precisa é mesmo um palhaço como o quarto pastorinho culpando os de todos os males de um país decadente e que hipotecou a sua soberania.
O mesmo para boa parte dos asiáticos. Tanto para eles como para nós um bandalho como o Ventura faz tanta falta como a fome.
E gente que o justifica faz menos falta que uma viola num enterro.
Sobre este tema da imigração, obviamente afetado por sentimentos racistas e xenófobos, gostaria de retornar à infeliz interferência recente do atual presidente da Assembleia da República e ao argumento da liberdade de expressão então utilizado.
Assim penso que se devia ensinar ao referido senhor que aceitar, em nome da liberdade de expressão, o discurso racista e xenófobo equivale a colocar no mesmo saco quem é racista e quem é contra o racismo, como se as duas posições fossem igualmente validas e respeitáveis, e não são, como se calhar ele próprio reconhece. Por tal motivo, deveria rapidamente admitir que teve uma tirada inconveniente e desastrosa a todos os níveis. Reconhecer o erro é uma questão de coragem, por vezes difícil de assumir, mas que fica bem a qualquer um.
A liberdade de expressão não pode implicar uma manifestação de indiferença que permita aceitar acriticamente tudo – uma coisa e a sua contrária – na base de que não há verdades absolutas e tudo é uma questão de opinião. Desse modo escamoteia-se que, embora possa nao haver verdades absolutas, continua a haver verdade e mentira, e que, apesar de as opiniões serem opiniões, o facto é que algumas são melhores do que outras e temos boas razoes para acolher umas e rejeitar outras, sobretudo quando tais opiniões têm consequência na vida das pessoas, como é sabido que acontece com o discurso de ódio, uma forma de violência simbólica que instiga outras bem mais gravosas e irreparáveis.